Sábado, 28 de Março de 2009

Notícia: Mar avançou 30 metros apesar do esporão

Instituto da Água diz que fenómeno é normal e garante que a linha da costa estabilizou.

 

A costa a sul da praia do Areão (Vagos) recuou 30 metros em 5 anos, apesar do esporão, construído em 2003. Geógrafo acha que «foi deitar dinheiro fora». INAG diz que o fenómeno é "natural e expectável " e que a linha da costa estabilizou.
 
Medições regulares feitas no local, entre Março de 2003 e Abril de 2008, por José Nunes André, mestre em Geografia Física e colaborador do Instituto do Mar, da Universidade de Coimbra, comprovam que a costa a sul da praia do Areão (Vagos) sofreu uma erosão acentuada, que se traduziu num recuo de mais de 30 metros.
 
Isto, apesar do esporão, com 400 metros de comprido, construído em 2002/2003 naquela praia, onde o Instituto da Água (INAG) gastou 2, 3 milhões de euros.
 
"Em Março de 2003, quando iniciámos o estudo, já nessa altura se verificava forte erosão da duna frontal nos primeiros 50 metros a sul do esporão. E, em Fevereiro de 2005, quantificámos uma erosão de 12,4 metros 225 metros a sul do esporão", refere José Nunes André.
 
"Daí até Maio de 2007, a erosão continuou (foi de 11,9 metros na mesma zona) e verificámos vestígios de galgamentos 50 metros a sul do esporão", diz o geógrafo.
 
"Entretanto, a duna frontal foi totalmente erodida e, em Abril de 2008, quantificámos um recuo do que era o flanco ocidental da duna, de 6 metros na mesma zona", diz Nunes André.
 
O geógrafo garante ter, também, observado que, naquela data, "não se verificava qualquer acumulação de areias a norte do esporão", concluindo, por isso, que "o esporão do Areão, tal como tantos outros, na nossa costa, em vez de minimizarem a erosão costeira, antes a aceleram".
 
O Instituto da Água não desmente que tenha havido erosão. "São recuos reais, normais e expectáveis. Está cientificamente provado que qualquer esporão altera a linha da costa a sul", admite António Nunes Rodrigues, do INAG.
 
"Nada daquilo que aconteceu nos surpreendeu. Não é novidade nenhuma. Agora, o que sabemos - e isso é que importa - é que a linha da costa a sul estabilizou", afirma o técnico do INAG, sublinhando que "se não fizéssemos esporões é que a costa teria recuado imenso".
 
O técnico do INAG contraria, também, Nunes André, quando garante que "a acreção (acumulação de areias) a norte começou durante a construção do esporão" e que "nunca mais houve necessidade de fazer qualquer intervenção".
 
A percepção do presidente da Câmara de Vagos é de que o esporão do Areão "teve efeitos positivos a norte, pois deixou de haver galgamentos e destruição do cordão dunar, e algum efeito negativo imediato a sul, onde, apesar do avanço do mar, o ponto máximo de erosão estagnou".
 
"Nada de novo ou que não fosse esperado", considera Rui Cruz.
 
Não sendo engenheiro nem geógrafo ("por isso, quem sou eu para contrariar este ou outro estudo"), o autarca inclina-se, no entanto, a "depositar confiança no trabalho da equipa de Veloso Gomes, que fez os estudos", e na intervenção prevista no plano de ordenamento da orla costeira, que "ainda só está executada a 40 por cento", sublinha.
 
O enchimento de areias entre esporões, o reforço dos esporões e outras protecções frontais e a requalificação do cordão dunar são trabalhos, que, recorda, ainda estão por fazer. Rui Cruz acha que "é o conjunto da intervenção, não é o esporão isolado, que vai dar a resposta adequada".
 
2008-06-26
José C. Maximino  
Retirado de JN: http://jn.sapo.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=961656
 

 

publicado por Soraia às 21:13
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